Cuiabá, 06 de Fevereiro de 2026

INTERNACIONAL Sexta-feira, 06 de Fevereiro de 2026, 14:16 - A | A

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Polêmica nos EUA

Governo Trump diz que errou ao postar montagem racista com o casal Obama

Segundo agência de notícias Reuters, Casa Branca disse que postagem, publicada na rede social pessoal de Donald Trump, foi 'erroneamente' publicada por funcionário do governo

G1

O governo de Donald Trump disse nesta sexta-feira (6) que a publicação de um vídeo que retrata o ex-presidente dos EUA Barack Obama e sua esposa, Michelle Obama, como macacos foi um "erro", segundo disse à agencia Reuters um funcionário da Casa Branca.

Ainda assim, a postagem ficou no ar parte da noite da quinta-feira (5) e ao longo do dia nesta sexta. A publicação foi posteriormente apagada. Mas, antes disso, a porta-voz da Casa Branca havia minizado o vídeo, que chamou de "meme da internet", e rejeitado as críticas.

A publicação provocou a condenação de vários líderes democratas e até de republicanos.

Em comunicado mais cedo, a porta-voz da Casa Branca havia rejeitado o que chamou de "indignação falsa" dos críticos.

Embora o vídeo tenha sido publicado na conta pessoal de Donald Trump em sua rede social Truth Social, um integrante da Casa Branca disse à agência de notícias Reuters que a postagem foi feita por um funcionário do governo norte-americano "de forma errônea".

“Trata-se de um vídeo de meme da internet que mostra o presidente Trump como o Rei da Selva e os democratas como personagens de O Rei Leão. Por favor, parem com a indignação falsa e noticiem hoje algo que realmente importe para o público americano”, afirmou a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, em comunicado à AFP.

O vídeo

Ao final do vídeo de um minuto com uma teoria da conspiração sobre as eleições, publicado na plataforma Truth Social, os rostos dos Obamas aparecem sobrepostos aos corpos de macacos por cerca de um segundo.

A canção "The Lion Sleeps Tonight" toca ao fundo quando o casal Obama aparece. Os dois não têm relação com a "denúncia" do presidente americano.

O vídeo repete alegações falsas de que a empresa de apuração de votos Dominion Voting Systems ajudou a roubar a eleição de 2020 de Trump. A publicação havia recebido milhares de curtidas na rede social do presidente dos EUA nas primeiras horas desta sexta-feira.

O gabinete do governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, condenou a publicação, que chamou de "comportamento repugnante". Já Tim Scott, o único senador negro do Partido Republicano, chamou o vídeo de "a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca".

Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional e aliado próximo de Barack Obama, também condenou as imagens.

"Deixem que Trump e seus seguidores racistas sejam assombrados porque os americanos do futuro verão os Obamas como figuras queridas, enquanto o estudam como uma mancha em nossa história", escreveu no X.

Obama é o único presidente negro na história dos Estados Unidos e apoiou a rival de Trump, Kamala Harris, na disputa eleitoral de 2024.

 Imagens de IA

No primeiro ano de seu segundo mandato na Casa Branca, Trump intensificou o uso de imagens geradas por Inteligência Artificial na Truth Social e em outras plataformas.

O presidente norte-americano costuma utiliza publicações provocativas para mobilizar sua base conservadora. No ano passado, Trump publicou um vídeo gerado por IA que mostrava Barack Obama sendo detido no Salão Oval e aparecendo atrás das grades, vestindo um uniforme laranja de detento.

Alguns meses depois, o republicano publicou um clipe produzido por IA de Hakeem Jeffries, líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes — que é negro —, com um bigode falso e um chapéu. Jeffries classificou a imagem como racista.

Agenda 'anti-woke'
Desde seu retorno à Casa Branca, Trump é alvo de críticas dos opositores por liderar uma campanha contra programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI).

Uma das primeiras medidas do segundo governo Trump foi encerrar todos os programas de DEI do governo federal, incluindo políticas de diversidade dentro das Forças Armadas.

A medida para acabar com o que Trump chamou de iniciativas "woke" também levou à retirada das bibliotecas das academias militares de dezenas de livros que abordam a história da discriminação nos Estados Unidos.

Os programas federais americanos de combate à discriminação nasceram da luta pelos direitos civis na década de 1960, liderada principalmente por afro-americanos, um movimento a favor de igualdade e justiça após centenas de anos de escravidão, cuja abolição em 1865 deu lugar à imposição de outras formas institucionais de racismo.

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