Fundado há apenas cinco anos, o Ibrachina tem ganhado destaque em competições de base no futebol paulista. O time, sediado no bairro do Mooca, em São Paulo, alcançou a melhor participação da sua história na Copa São Paulo de Futebol Júnior.
Classificado para a semifinal, o Ibrachina eliminou o Atlético-MG (segunda fase), o Internacional (oitavas) e o Palmeiras nas quartas de final. Agora, terá o São Paulo como adversário por uma vaga na final.
Na primeira fase, o Ibrachina terminou em primeiro do Grupo 30, com sete pontos. O time venceu goleou o Ferroviário-CE, venceu o Bangu-RJ e empatou com o Santo André. Foram oito gols marcados e apenas dos sofridos.
O resultado expressivo é apenas mais um do time que na temporada passada foi vice-campeão paulista sub-17, perdendo a final para o Sfera FC - outro time sensação da base -, e considerado a sexta melhor categoria de base sub-20 de São Paulo, atrás apenas do Novorizontino e dos quatro grandes clubes do estado.
O ge esteve nas instalações do Ibrachina em outubro de 2022 para apresentar e mostrar curiosidades do clube que, naquela época, já incomodava os grandes e chamava atenção no futebol paulista.
Clube nasceu durante a pandemia
O projeto do Ibrachina teve início em paralelo com as restrições em todo o mundo em virtude da pandemia de Covid-19. Seguindo protocolos e mantendo peneiras para buscar talentos, o clube se beneficiou diante de um cenário de incerteza que dominou o futebol brasileiro de base entre 2020 e boa parte de 2021.
Como muitos clubes paralisaram as atividades por conta das restrições e a ausência de campeonatos de base, o Ibrachina conseguiu atrair muitos jogadores que até então atuavam em clubes como Portuguesa, São Caetano, São Bernardo e até Palmeiras.
A chegada desses jogadores e a manutenção da atividade do clube foram determinantes para o Ibrachina conseguir bons resultados dentro de campo, mesmo com pouco tempo de atividade.
O Ibrachina tem como mascotes a arara e o dragão, representando as culturas de Brasil e China, respectivamente. O nome do time tem relação com o projeto social, que atende por Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina).
Projeto social de família milionária
O clube tem a ambição de ser um dos maiores reveladores de jogadores no Brasil e migrar para o futebol profissional. Sediado no bairro da Mooca, em São Paulo, casa do tradicional Juventus, o Ibrachina conta com uma estrutura que atende jovens das categorias sub-15, sub-17 e sub-20, além de crianças das comunidades de Heliópolis e São Mateus (conheça as instalações do Ibrachina no vídeo abaixo).
O clube tem como presidente o empresário Henrique Law, filho do casal Law Kin Chong e Miriam Law, que foram investigados na CPI da Pirataria, conduzida pela Câmara Municipal de São Paulo, que apurou a venda irregular e contrabando de produtos no comércio popular de São Paulo, localizado nas regiões da rua 25 de março, Brás e Pari.
E a grana, de onde vem?
O investimento na construção de uma arena e de toda a estrutura que compõe o centro de treinamento do Ibrachina não foram especificados pelo presidente Henrique Law.
O homem à frente do clube tem família ligada ao comércio popular de um dos maiores centros comerciais do mundo, na região da rua 25 de março, em São Paulo. O pai, Law Kin Chong, chegou a ser preso duas vezes pela Polícia Federal sendo apontado como um dos maiores contrabandistas do Brasil.
Law Kin Chong e Miriam Law, mãe de Henrique, segundo informações da CPI da Pirataria*, seriam proprietários ou administradores de 27 shoppings de comércio popular na capital, que estão no escopo das investigações da Comissão. Eles deverão prestar depoimento como testemunhas.
Nascido em Hong Kong, Law Kin Chong ficou preso entre 2004 e 2007 por corrupção ativa, segundo a Polícia Federal. Em 2008, ele foi preso mais uma vez, desta vez pelos crimes de contrabando e descaminho. A prisão ocorreu pouco depois que um de seus empreendimentos ser multado em mais de R$ 2 milhões pela prefeitura de São Paulo.
Law Kin Chong foi descrito como um dos maiores contrabandistas do país na CPI da Pirataria federal em 2004, quando foi preso em flagrante por tentativa de suborno ao presidente da CPI. Na Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Municipal de São Paulo, o relatório final também destaca o histórico investigativo envolvendo o empresário e sua família.
Henrique Law nega que os pais tenham ligação com o projeto e que o dinheiro investido venha dos negócios da família, que é dona da loja Empório Daruma, patrocinadora máster do clube.
– A questão de investimento é relativo. A gente trabalha bastante visando um retorno com resultado positivo com a performance dos meninos, mas isso é uma questão que a gente consegue avaliar um pouco melhor com esse retorno que estamos imaginando.
– Não, não (sobre a participação do pai no clube). Isso seria apenas uma coisa minha mesmo – explicou Law.
*Nota da redação: a CPI da Pirataria teve como objetivo analisar e investigar a evasão fiscal, a sonegação, a pirataria e a falsificação na cidade de São Paulo. Além de fiscalizar a comercialização de produtos piratas na capital paulista, a Comissão também vai investigar empresas por suposta evasão fiscal. Os trabalhos da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pirataria foram realizados entre 2021 e 2023. O relatório final da CPI destaca a família Law como ligada à estrutura investigada de práticas ilegais, contribuindo para os encaminhamentos de políticas públicas formulados no documento aprovado em março de 2023. O relatório não faz uma condenação judicial, mas registra fatos, histórico e evidências coletadas durante as investigações da CPI para fins de análise e recomendação de políticas públicas e encaminhamentos legais.
E o profissional?
Atualmente, o Ibrachina concentra seus investimentos e foco no futebol de base. A entrada no profissional é algo que deve acontecer naturalmente, já que o clube almeja disputar competições nacionais de base, precisando ter ranqueamento na CBF e estar disputando uma divisão profissional.
Caso resolva entrar no futebol profissional, o Ibrachina iniciaria na quinta e última divisão do Paulista, competição que tem limite de idade de 23 anos. Ou seja, o projeto seria mais viável para o time que trabalha com a categoria sub-20, podendo usar os jogadores acima do limite de idade para disputar o estadual.
– Hoje, somos um clube formador apenas. Lógico que futuramente a gente quer dar um voo um pouco mais alto e estamos almejando sim nos profissionalizar – projetou Law.
Segundo apuração do ge, o Ibrachina tentou firmar uma parceria com o Juventus, outro time do bairro da Mooca, em São Paulo, como forma de iniciar atividades no futebol profissional. No entanto, o Moleque Travesso recusou a investida e acabou se transformando em uma SAF.

