Cuiabá, 12 de Fevereiro de 2026

ESPORTE Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2026, 09:33 - A | A

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mal momento

Entre desempenho e resultados: a encruzilhada de Diniz no Vasco

Lance

A derrota por 1 a 0 para o Bahia, na última quarta-feira (11), em São Januário, ampliou a pressão sobre Fernando Diniz no comando do Vasco. O treinador deixou o gramado sob vaias tanto no intervalo quanto ao fim da partida, em um retrato fiel do momento vivido pelo clube: produção ofensiva em números, mas pouca efetividade no placar e resultados que não sustentam o discurso.

Somando a reta final do Brasileirão de 2025 e o início da edição 2026, Fernando Diniz comandou o Vasco em 11 partidas. No recorte, houve apenas vitória e um empate, além de nove derrotas, o que evidencia a dificuldade da equipe em encontrar regularidade no torneio. A sequência negativa ajuda a explicar o aumento da pressão e o incômodo da torcida, especialmente em São Januário, onde o time ainda não conseguiu transformar volume de jogo em resultados consistentes.

Em 2026, o retrospecto também é instável: entre Brasileirão e Campeonato Carioca, são três vitórias em nove partidas, aproveitamento de 44,4%. Após a derrota para o Bahia, Diniz reconheceu a frustração.

- O sentimento é de frustração total. O torcedor tem que estar bravo, tem que estar chateado e tem que ter alguém para xingar, e o treinador é o maior responsável. A equipe produziu para ganhar. O Bahia chutou sete vezes, acho que a gente chegou a vinte. A gente entrou no último terço do campo 51 vezes. Tivemos oportunidades mais do que suficientes para virar o jogo, não viramos - afirmou.

Em outro momento, reforçou a necessidade de evolução em São Januário:

- Acho que aqui é a casa do Vasco, o time tem que saber jogar aqui. Eu gosto muito de jogar aqui, mesmo a torcida me vaiando como vaiou hoje. A gente tem que aprender a jogar aqui cada vez mais e ganhar jogos aqui - disse o comandante.

O cenário atual dialoga com um padrão observado na carreira recente do treinador. Desde 2018, quando passou a dirigir os principais clubes do país, Diniz só teve aproveitamento superior a 50% em duas ocasiões: no São Paulo (54,95%) e no Fluminense (55,61% em 2018 e entre 2023 e 2024 ). No Tricolor, viveu seu período mais longevo — dois anos e dois meses — e também o mais vitorioso, com conquistas da Libertadores, da Recopa Sul-Americana e do Campeonato Carioca. O auge foi 2023. Em 2024, após bom início, a equipe oscilou e o trabalho terminou depois de derrota para o Flamengo.

No Cruzeiro, em 2024, foram 20 partidas, com quatro vitórias, nove empates e sete derrotas (35% de aproveitamento). Houve a final da Copa Sul-Americana, perdida para o Racing por 3 a 1, em Assunção. Após sua saída, o clube contratou Leonardo Jardim, que levou a equipe ao terceiro lugar no Brasileirão.

Antes disso, como interino da Seleção Brasileira, Diniz acumulou duas vitórias, um empate e três derrotas. Começou com triunfos sobre Peru e Bolívia, empatou com a Venezuela e, depois da lesão de Neymar, perdeu para Uruguai, Colômbia e Argentina — esta última no Maracanã.

As passagens por Santos (44,09% de aproveitamento e demissão após seis jogos sem vencer) e outros clubes também tiveram em comum a queda de rendimento após sequências negativas. Em diferentes momentos, episódios de broncas públicas — como com Tchê Tchê no São Paulo, Rayan e Nuno Moreira no Vasco — marcaram fases de maior tensão interna.

A questão que se coloca em São Januário é objetiva: manter o comando e apostar na recuperação, aguardando reforços e maior entrosamento, ou promover uma mudança para tentar novo impulso? Os números mostram que Diniz costuma iniciar trabalhos com boas ideias e desempenho propositivo, mas enfrenta dificuldades para sustentar regularidade ao longo do tempo. Ao Vasco cabe avaliar se o atual momento é parte de um processo que pode amadurecer ou se a curva descendente já acendeu o sinal de alerta.

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