Cuiabá, 29 de Agosto de 2025

ENTRETENIMENTO Sexta-feira, 29 de Agosto de 2025, 10:46 - A | A

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2025, 10h:46 - A | A

sem holofotes

Gato Preto, Bia Miranda e o unfollow que já passou da hora

R7

Essa semana, um post no Instagram me chamou a atenção. Era de um perfil — se não me falha a memória, voltado a cobrir celebridades — anunciando que, a partir daquele dia, não publicaria mais nenhuma notícia sobre os “influenciadores” (com aspas bem grandes mesmo) Gato Preto e Bia Miranda.

O motivo? O casal — ou seria ex? — protagoniza uma coleção diária de polêmicas. De acusações de violência doméstica a infrações de trânsito, passando por suspeitas de crimes mais sérios, tudo o que envolve esses dois vem cercado de muita, mas muita dúvida.

Mas calma, não é sobre eles que quero falar. Eles são só o gancho para um tema que, esse sim, merece atenção: o papel dos influenciadores na internet.

Fui lá ver quantos seguidores o tal Gato Preto tem: 305 mil. Bia Miranda, pasme, acumula impressionantes 5,3 milhões de seguidores. Não estou aqui para julgar quem os segue — até porque, já passou da hora de eu mesmo fazer uma limpa no meu Instagram e parar de acompanhar gente que não me acrescenta em nada.

O ponto é: o que estamos fazendo com o conteúdo que consumimos dessas figuras que se auto intitulam influenciadores? A decisão do perfil que mencionei lá no início — de parar de divulgar qualquer coisa sobre esse casal — é, no fundo, uma tentativa de frear a visibilidade gratuita de quem só entrega o que não serve de exemplo. Ou melhor: serve, sim, como exemplo do que não ser, do que não fazer, do que não incentivar.

Como jornalista, faço aqui meu “mea culpa”: a imprensa tem, muitas vezes, um papel direto na promoção dessas figuras. Não só eles, claro. Mas chega um momento em que o absurdo vira rotina, e os maus exemplos vêm em avalanche. Nessa hora, defendo a ideia de simplesmente fingirmos que essas pessoas não existem. Invisibilizá-las.

Afinal, muitos desses “pseudoinfluenciadores” levam ao pé da letra o velho clichê: “falem mal, mas falem de mim”. No vale-tudo pelo engajamento, o que menos importa é a credibilidade.

A palavra “influenciador” se banalizou. E não, definitivamente não é o número de seguidores que torna alguém relevante. No sentido real do termo, um influenciador é alguém que constrói uma audiência fiel e engajada nas plataformas, com autoridade para compartilhar opiniões, recomendar produtos, ideias, serviços — e o que mais fizer sentido. É um trabalho legítimo, moderno, mas que não pode ter como referência gente rasa como Gato Preto e Bia Miranda (juro que não é ranço, é só constatação).

Aliás, dias atrás vi uma notícia sobre a criação da primeira faculdade para influenciadores no Brasil. Achei sensacional. Porque, do mesmo jeito que não é qualquer um que pode ser jornalista, também não dá para achar que influenciar pessoas é tarefa para quem só entende de algoritmo.

Quem se propõe a usar esse megafone chamado rede social precisa ter, no mínimo, alguma qualidade que justifique o “seguir”. E, mais do que isso, precisa de formação. Ética, responsabilidade social, direito digital… Influenciar é trabalho. E como todo trabalho sério, exige preparo — afinal, conteúdo impacta. E muito.

No fim das contas, a escolha é nossa. A mesma autonomia que você tem para trocar de canal se não quiser me assistir na TV, vale também para internet. Hoje em dia, há quem demonize os meios de comunicação tradicionais por motivos ideológicos, mas não esboça o mesmo incômodo com a enxurrada de absurdos que consome online.

Então, sejamos coerentes. Se é para ser seletivo, que sejamos por inteiro. Você pode não gostar do programa que eu apresento, ou da emissora onde trabalho. Tudo bem. Está no seu direito. Mas não faz sentido nenhum aplicar um filtro tão criterioso para um lado e simplesmente deixar o outro correr solto — justamente o lado que, em tempos atuais, mais influência seu dia a dia, mesmo que você nem perceba.

Comente esta notícia