Relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que os integrantes da CPI devem votar a convocação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, após o carnaval. A próxima reunião está prevista para 24 de fevereiro.
A declaração foi dada em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews. Segundo o senador, a decisão de levar a pauta foi tomada pelo presidente da comissão, que é o Fabiano Contarato (PT-ES). Entre os temas em debate está a empresa Maridt, da qual Toffoli e seus irmãos são sócios e fizeram negócios relacionados ao Banco Master.
O parlamentar afirmou que há quatro grandes temas sobre o crime organizado e que eles têm correlações: emendas parlamentares, Carbono Oculto (que envolve o PCC e fintechs), fraude no INSS e Banco Master.
"Quando você olha mais de perto, você percebe que está tudo entrelaçado em duas pontas: na ponta da lavagem de dinheiro, onde você tem Master, Reag, etc, e na ponta da infiltração política e judicial do crime organizado", afirmou o senador.
Pressão dos Três Poderes
Para Vieira, existe grande dificuldade em apurar situações como estas. Ele cita que há pressão por envolver pessoas muito poderosas na política e no setor econômico, mas que a decisão de investigar o ministro ou não é apenas da Procuradoria-Geral da República (PGR).
"São bilhões de reais e figuras muito poderosas nos Três Poderes da República", disse, ao citar pressão de ministros do Supremo, de "pessoas da política" dentro do Congresso.
"Os recados que estão sendo enviados para a Polícia Federal são terríveis, são duríssimos. A nota publicada por dez ministros do Supremo é um vexame porque diz que Toffoli não pode continuar como relator, mas ao mesmo tempo ela é imaculada e intocável", afirmou Vieira, ao comentar a nota do STF que definiu o afastamento a pedido de Toffoli do Caso Master.
Em nota com o afastamento do ministro, o STF informou que Toffoli – "considerados os altos interesses institucionais" – pediu que o tema fosse redistribuído para outro ministro relatar o caso.
No texto, os ministros do tribunal afirmaram "não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição", que reconhecem "a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli" e que expressam "apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento".



