Ao longo da história do Direito, a advocacia sempre foi reconhecida como uma das mais nobres funções da cidadania. Durante muito tempo, no entanto, esse espaço foi majoritariamente ocupado por homens. Em Mato Grosso, assim como em todo o Brasil, mulheres precisaram enfrentar barreiras culturais, sociais e institucionais para conquistar espaço nos tribunais, nos escritórios e nas tribunas da justiça. Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é necessário reconhecer que a advocacia vive um momento de transformação impulsionado, sobretudo, pela força e pelo protagonismo feminino.
Os números refletem essa mudança. Hoje, o Brasil conta com mais de 1,4 milhão de profissionais inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil, sendo cerca de 740 mil mulheres — aproximadamente 51,8% da advocacia nacional. Esse dado histórico revela que, pela primeira vez, as advogadas passaram a ser maioria na profissão. Em Mato Grosso, essa presença também se fortalece a cada ano, com mulheres ocupando espaços relevantes nos escritórios, nas instituições públicas, na academia e nas estruturas da própria Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso.
Esse avanço não aconteceu sem desafios. A trajetória feminina na advocacia foi construída com muita perseverança. Muitas profissionais precisaram conciliar o exercício da profissão com a vida familiar, enfrentar preconceitos e provar reiteradamente sua capacidade em um ambiente historicamente marcado por estruturas masculinas. Ainda assim, com preparo técnico, ética e dedicação, conquistaram respeito e credibilidade, transformando a advocacia em um espaço cada vez mais plural e representativo.
Nos últimos anos, avanços institucionais também contribuíram para ampliar essa presença feminina. A adoção da paridade de gênero nas eleições da OAB representa um marco importante para garantir maior participação das mulheres nas diretorias e nos conselhos da entidade. Trata-se de uma medida que fortalece a democracia interna da instituição e reafirma o compromisso da advocacia com a igualdade e a representatividade.
Em Mato Grosso, vemos diariamente advogadas atuando com excelência em diferentes áreas do Direito, contribuindo para a defesa das garantias constitucionais, para a promoção da justiça e para o fortalecimento do Estado Democrático de Direito. Mais do que exercer uma profissão, essas mulheres participam ativamente da construção de uma sociedade mais justa, equilibrada e sensível às transformações sociais.
Neste 8 de março, portanto, mais do que celebrar, é momento de reconhecer. Reconhecer as pioneiras que abriram caminhos quando quase não havia espaço. Reconhecer as profissionais que hoje ocupam tribunais, escritórios e instituições com competência e protagonismo. E reconhecer que o futuro da advocacia em Mato Grosso será cada vez mais plural, inclusivo e fortalecido pela presença feminina.
A advocacia exercida por mulheres não é apenas uma realidade consolidada. É uma força transformadora que continuará ampliando horizontes e reafirmando, todos os dias, que justiça, igualdade e respeito caminham juntos.
Giovane Santin é vice-presidente da OAB MT, advogado criminalista, Doutor em Ciências Sociais pela Unisinos, Mestre e Especialista em Ciências Criminais pela PUC/RS e professor da UFMT.




