Cuiabá, 12 de Março de 2026

INTERNACIONAL Quinta-feira, 12 de Março de 2026, 07:23 - A | A

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Conflito no Oriente Médio

Presidente do Irã estabelece três condições para o fim da guerra com EUA e Israel

Masoud Pezeshkian também afirmou aos líderes da Rússia e do Paquistão que a República Islâmica está comprometida 'com a paz na região'

O Globo, com agências internacionais

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou na quarta-feira que Teerã tem três condições para o encerramento da guerra com os Estados Unidos e Israel. Em uma publicação na rede social X, em que se referiu a conversas com os chefes de Estado da Rússia e do Paquistão, o presidente iraniano — que na estrutura organizacional política do país está abaixo do líder supremo e do comando da Guarda Revolucionária — defendeu como única maneira de por fim à guerra o lado rival "aceitar os direitos inalienáveis ​​do Irã, pagar indenizações e impor uma firme obrigação internacional de não reabrir o conflito", uma saída avessa à "rendição incondicional" exigida por Washington. Novos ataques foram registrados nesta quinta-feira, em um momento em que as forças militares da República Islâmica ampliam a campanha contra navios-petroleiros no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, o que volta a provocar alta no preço do barril de petróleo ao redor do mundo.

"Em contato com os chefes de Estado da Rússia e do Paquistão, ao declarar o compromisso da República Islâmica com a paz e a tranquilidade na região, enfatizei que a única maneira de pôr fim à guerra que começou com a incitação do regime sionista e dos Estados Unidos é aceitar os direitos inalienáveis ​​do Irã, pagar indenizações e impor uma firme obrigação internacional de não reabrir o conflito", escreveu Pezeshkian.

As demandas descritas pela liderança política do regime iraniano apresentam pontos incompatíveis com os objetivos expostos por EUA e Israel e as declarações das autoridades dos dois países nos últimos dias. Embora o presidente americano, Donald Trump, tenha falado que o conflito estava perto do fim, a Casa Branca e o Pentágono exigiram uma "vitória completa" sobre o Irã, enquanto o secretário de Defesa Pete Hegseth falou em rendição incondicional. Os aliados israelenses afirmaram ontem que a guerra continuaria o quanto fosse necessário, sinalizando que qualquer diminuição na intensidade do conflito não está em pauta neste momento.

Sem progresso no campo político-diplomático, os ataques trocados em toda a região do Golfo seguem intensos. A Guarda Revolucionária iraniana confirmou ter bombardeado um navio com bandeira das Ilhas Marshall, que acusou de ser de propriedade dos EUA, afirmando que a embarcação "ignorou e não cumpriu" as advertências e alertas sobre o tráfego naval na região — na quarta, os militares afirmaram que não permitiram que nem um litro de petróleo fosse transportado pelo Estreito de Ormuz e que qualquer embarcação que quisesse trafegar na região deveria pedir autorização. Os ataques iranianos com drones e outros projéteis também atingiram um aeroporto no Kuwait e forçaram as defesas de países como Arábia Saudita, Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos nas últimas 24 horas.

 O cálculo da agência é que países do Golfo — entre eles, alguns dos principais produtores de petróleo e gás natural do mundo, como Arábia Saudita, Kuwait e Emirados — tenham reduzido suas produções em ao menos 10 milhões de barris/dia diante do bloqueio do Estreito de Ormuz.

A onda mais recente de ataques parece ter provocado danos particularmente importantes em reservas de combustíveis, segundo os anúncios de países vizinhos. O Bahrein denunciou ao menos um ataque contra depósitos de combustíveis, alertando moradores a permanecerem em suas casas devido à fumaça causada pelas chamas. Dois navios-petroleiros também foram atingidos perto da costa do Iraque, em um par de ações que deixou pelo menos um morto. Equipes de emergência ainda procuram vários desaparecidos, segundo a autoridade portuária. 

Um porta-contêineres também foi atingido nas últimas horas por um "projétil desconhecido" na costa dos Emirados Árabes Unidos, o que provocou um "pequeno incêndio" a bordo, segundo a agência marítima britânica (UKMTO).

Em um comunicado exibido na televisão estatal iraniana, as Forças Armadas do país afirmaram que alvos militares israelenses também foram atacados, citando as bases aéreas de Palmachim e Ovda, além da sede do Shin Bet. Israel não acusou qualquer dano até o momento, mas em um comunicado, afirmou ter lançado um ataque "em grande escala" contra alvos iranianos nesta quinta.

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