A região nordeste dos Estados Unidos continua enfrentando transtornos nesta quarta-feira (25), no momento em que moradores tentam retomar a rotina de trabalho e aulas após a tempestade que deixou grandes acúmulos de neve nas ruas.
A previsão para esta quarta indicava mais 2,5 a 7,6 centímetros de neve — bem menos do que no temporal anterior. Mesmo assim, o National Weather Service (Serviço Meteorológico Nacional) alertou que a neve derretida poderia congelar novamente durante a noite, formando placas de gelo invisíveis e deixando as estradas escorregadias. Com a elevação das temperaturas ao longo da manhã, parte da neve virou lama.
A forte nevasca desta semana obrigou cidades a intensificar operações de limpeza. Em Nova York, a prefeitura espalhou cerca de 65 milhões de quilos de sal nas ruas até terça-feira (24) e contratou ao menos 3,5 mil trabalhadores emergenciais para retirar neve de pontos de ônibus e vias públicas.
O fornecimento de energia foi restabelecido para muitos dos moradores afetados em Massachusetts, Nova Jersey, Delaware e Rhode Island. Ainda assim, cerca de 160 mil clientes permaneciam sem luz em Massachusetts na manhã de quarta-feira.
Em Newport, Rhode Island, um estudante de 21 anos da Salve Regina University morreu por intoxicação por monóxido de carbono após ser encontrado inconsciente dentro de um carro coberto de neve, segundo a polícia local.
Apesar do avanço na limpeza, ainda há muito trabalho a ser feito. Em várias áreas, moradores relatam dificuldade de locomoção, especialmente pessoas com deficiência, por causa de calçadas parcialmente bloqueadas ou estreitas demais para cadeiras de rodas e carrinhos.
Volumes históricos
A tempestade de segunda-feira (23) cobriu a região com neve intensa, provocou cancelamento de voos, interrompeu o transporte público e derrubou linhas de energia. Em Rhode Island, o acúmulo superou 90 centímetros, ultrapassando marcas registradas na histórica nevasca de 1978.
Cálculos do meteorologista Ryan Maue, ex-cientista-chefe da National Oceanic and Atmospheric Administration, indicam que, se toda a neve que caiu entre Maryland e Maine tivesse sido concentrada apenas em Manhattan, formaria uma pilha com mais de 1,6 quilômetro de altura.
Autoridades de Nova York estão usando grandes reservatórios de água aquecida para acelerar o derretimento de neve e gelo — método que já eliminou milhões de quilos de acúmulo em tempestades anteriores.
Na cidade de Providence, caminhões transportam neve para cinco locais de descarte, e novas áreas podem ser abertas devido ao volume excepcional.
Escolas reabertas
Grandes redes escolares começaram a retomar as aulas presenciais nesta quarta-feira, incluindo Filadélfia, que havia adotado ensino remoto no início da semana. As escolas também reabriram em Boston após o recesso de inverno.
Já nas regiões mais atingidas de Rhode Island, as aulas continuaram suspensas, com estudantes em ensino virtual.
Em Nova York, mais de 900 mil alunos voltaram às salas de aula, embora muitos tenham enfrentado montes de neve e equipamentos de limpeza durante o trajeto matinal.
Voos normalizados
Milhares de voos com origem ou destino nos Estados Unidos foram cancelados nos últimos dias. Nesta quarta-feira, a situação começou a melhorar, com cerca de 200 cancelamentos registrados, segundo o site de monitoramento FlightAware.
O T. F. Green International Airport reabriu na terça-feira. Alguns voos decolaram normalmente no dia seguinte, enquanto outros ainda foram cancelados.
Passageiros que chegaram a Nova York vindos de Buenos Aires na noite de terça-feira aplaudiram ao pousar, após atrasos e cancelamentos provocados pela tempestade.



