O Exército israelense anunciou nesta segunda-feira, 16, que lançou "operações terrestres limitadas e direcionadas" contra redutos do movimento pró-Irã Hezbollah no Líbano. O objetivo é "reforçar a zona de defesa avançada" ao longo da fronteira entre o norte de Israel e o sul do país.
Segundo comunicado, as ações "fazem parte de esforços para estabelecer e fortalecer uma postura defensiva avançada, que incluem o desmonte da infraestrutura terrorista e a eliminação de terroristas que operam na área". A meta é "trazer mais segurança para os habitantes do norte de Israel", acrescenta o texto.
Antes da entrada de seus soldados na região, o Exército israelense informou ter realizado ataques aéreos e de artilharia contra vários alvos terroristas. O Líbano entrou na guerra no Oriente Médio em 2 de março, após o ataque do Hezbollah contra Israel, em resposta ao assassinato do guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. O líder morreu em 28 de fevereiro após um ataque israelense em Teerã.
Israel respondeu com bombardeios aéreos massivos no Líbano, que já deixaram cerca de 850 mortos. Mais de 830 mil pessoas foram deslocadas, e 130 mil ficaram desabrigadas, segundo autoridades do país. No conflito anterior entre Israel e Hezbollah, em 2023 e 2024, 60 mil habitantes do norte de Israel foram deslocados pelos combates.
Neste domingo (15), um bombardeio israelense matou um dirigente do Hamas palestino no sul do Líbano, segundo o movimento, aliado ao Hezbollah libanês. O grupo afirma ter atingido uma base aérea no centro de Israel com um "míssil sofisticado".
O Exército israelense voltou a bombardear, na noite de domingo, a periferia sul de Beirute, depois de emitir pela manhã uma ordem de retirada em vários bairros da região. No sul do país, capacetes azuis foram alvos de disparos, informou a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul), dois dias após ataques israelenses contra outra base.
Bombardeios no Irã
Nesta segunda-feira, Israel também continuou bombardeando Teerã, onde novas explosões foram ouvidas ao meio-dia, após vários ataques noturnos. Os bombardeios contra depósitos de combustível na capital "violam o direito internacional e constituem um ecocídio", denunciou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi.
Em resposta, o Irã mantém ataques contra bases militares e interesses econômicos dos Estados Unidos em países vizinhos do Golfo, além de infraestruturas civis como aeroportos, portos e instalações petrolíferas.
Nos Emirados Árabes Unidos, o aeroporto de Dubai — um dos principais centros do tráfego aéreo mundial — reabriu após suspender por várias horas suas operações devido a um ataque com drone e ao incêndio de um tanque de combustível. Outro ataque com drone provocou um incêndio na zona industrial petrolífera de Fujairah, localizada na costa do Golfo de Omã, além do Estreito de Ormuz.
Arábia Saudita intercepta drones
A Arábia Saudita afirmou ter interceptado nesta segunda-feira 61 drones no leste do país. Os preços do petróleo, que dispararam desde o início da guerra, mostram sinais de estabilização, em torno de 100 dólares o barril.
Os países-membros da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiram na semana passada liberar 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas — uma medida sem precedentes em 50 anos de existência da instituição. Nesta segunda-feira, o Japão, que depende do Oriente Médio para 95% de suas importações de petróleo, começou a usar parte de suas reservas, entre as maiores do mundo, liberando o equivalente a 15 dias de consumo nacional.
Em entrevista ao Financial Times, Donald Trump pediu que a Otan, assim como Pequim, envie navios de guerra ao Estreito de Ormuz, por onde transita um quinto do tráfego mundial de petróleo e gás liquefeito.
"É perfeitamente normal que aqueles que se beneficiam desse estreito contribuam para garantir que nada de grave aconteça ali", declarou o presidente, que havia prometido que a Marinha americana começaria "muito em breve" a escoltar petroleiros na região. Em tom de ameaça, ele previu "consequências muito ruins para o futuro da Otan" caso os países da aliança se recusassem a "obedecer".
O presidente americano também ameaçou adiar uma viagem à China, prevista para 31 de março a 2 de abril, se Pequim relutasse em se envolver, destacando que o país "importa 90% de seu petróleo via o estreito". Pequim afirmou permanecer "em comunicação" com Washington sobre a visita de Trump, mas sem mencionar o tema. Japão e Austrália descartaram qualquer envio de navios.
Fim da guerra?
Donald Trump disse ainda estar discutindo com o Irã um possível fim da guerra. "Não acho que eles estejam totalmente prontos, embora já não estejam tão longe disso", afirmou à imprensa na noite de domingo. Segundo ele, o país foi "dizimado" após duas semanas de bombardeios. Teerã não confirmou negociações.
Neste domingo, o presidente francês Emmanuel Macron disse que conversou com o iraniano Massoud Pezeshkian e pediu que Teerã "ponha fim imediatamente" a seus "ataques inaceitáveis", diretos ou realizados por milícias aliadas, contra países da região.
"A escalada descontrolada à qual estamos assistindo mergulha toda a região em um caos com consequências graves, hoje e nos anos que virão", escreveu o presidente francês no X. Ele acrescentou ter solicitado também que o Irã restabeleça o mais rápido possível a liberdade de navegação no estreito de Ormuz.




