Cuiabá, 09 de Março de 2026

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Caribe

EUA dizem ter matado 6 em embarcação ligada ao narcotráfico no Pacífico

Número de mortos chega a pelo menos 157 pessoas desde que o governo Donald Trump começou a atacar embarcações que classifica como ligadas a “narcoterroristas”

France Presse

Seis pessoas morreram após ataque contra uma embarcação suspeita de tráfico de drogas no leste do Oceano Pacífico neste domingo (8), diz o exército dos EUA. Não há informações sobre a localização exata do ataque ou identidade dos tripulantes.

Com o ataque de domingo, o número de mortos chega a pelo menos 157 pessoas desde que o governo Donald Trump começou, no início de setembro, a atacar embarcações que classifica como ligadas a “narcoterroristas”. A operação faz parte da campanha do governo contra supostos traficantes, que já soma mais de 40 ataques no Pacífico Oriental e no Caribe.

Apesar de não apresentar provas, o Comando Sul dos EUA afirmou que o alvo eram supostos traficantes de drogas em rotas conhecidas de contrabando.

 Trump afirmou que os Estados Unidos estão em “conflito armado” com cartéis na América Latina e classificou os ataques como uma escalada necessária para conter o fluxo de drogas para o país. Ainda assim, seu governo apresentou poucas evidências para sustentar a afirmação de que os mortos seriam “narcoterroristas”.

Encontro com líderes latino-americanos
Em um encontro realizado no sábado (7) com líderes latino-americanos, Trump incentivou os países da região a se juntarem aos EUA em ações militares contra cartéis de drogas e gangues transnacionais, que ele disse representar “uma ameaça inaceitável” à segurança nacional do hemisfério.

Durante a reunião, o presidente dos EUA anunciou a formação de uma coalizão militar contra os cartéis de drogas, alinhada ao argumento que ele vem defendendo ao longo de seu segundo mandato.

Entre os participantes estão o presidente argentino, Javier Milei, o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, e o presidente salvadorenho, Nayib Bukele, cuja repressão às gangues, criticada por grupos de direitos humanos, tornou-se um modelo para parte da direita latino-americana. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, não foi convidado.

Na última semana, Equador e Estados Unidos realizaram operações militares contra grupos do crime organizado no país sul-americano.

Com a reunião de sábado, Trump também buscou demonstrar que continua comprometido em priorizar a política externa dos EUA no Hemisfério Ocidental, mesmo enquanto enfrenta uma crise com o Irã, que tem repercussões no Oriente Médio.

Críticos questionam a legalidade dos ataques a barcos e sua eficácia porque o fentanil responsável por muitas overdoses nos EUA chega ao país pelo México, onde é produzido com substâncias químicas importadas da China e da Índia.

Os ataques também geraram controvérsia após a revelação de que militares americanos mataram sobreviventes do primeiro ataque a um barco com um segundo bombardeio. O governo Trump e muitos parlamentares republicanos afirmaram que a ação foi legal e necessária, enquanto legisladores democratas e grupos de direitos humanos disseram que as mortes podem configurar assassinato ou até crime de guerra.

 

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