O Benfica entrará em campo pela primeira vez após a eliminação na Champions League nesta segunda-feira, contra o Gil Vicente, pelo Campeonato Português, mas o assunto da coletiva anterior ao duelo mais uma vez foi a acusação de racismo feita por Vini Jr. e Mbappé contra Prestianni.
O técnico José Mourinho se antecipou às perguntas e recorreu à "Declaração Universal dos Direitos Humanos" para fazer alusão à presunção de inocência que, segundo ele, o impede de fazer qualquer julgamento prévio sobre o atacante argentino.
- Antecipo-me e digo que repudio qualquer tipo de discriminação, preconceito e ignorância. Aconselho também todos a lerem a Declaração Universal dos Direitos do Homem e digo que as críticas refletem mais quem as faz do que o criticado.
— Eu amo o Álvaro (Arbeloa) e vou continuar a amar, mas acho que fui quem tomou a decisão correta, não ele. Mencionei isso na conferencia em Madri quando fui confrontado com as declarações do Álvaro e de um jogador na acusação ao Prestianni e defesa do jogador do Real. E em que eu disse "quero ser equilibrado, nem defender o meu nem atacar o outro". Inclusive, utilizei anteriormente a terminologia "não quero vestir nem a camisa vermelha, Benfica, ou branca, Real".
Mourinho insistiu na necessidade de ser ler o artigo 11 da Declaração Universal dos Direitos Humanos antes de que se tome qualquer conclusão.
- Quero ser imparcial num caso que poderá de ser de grande gravidade. O que disse para perderem 10 minutos a ler a Declaração, refere-se à presunção de inocência. Se enquanto cidadão sou uma pessoa que repudia qualquer tipo de preconceito ou idiotice, digo que eu fiz isso e os outros não fizeram.
Preâmbulo feito, Mourinho, mesmo que cheio de condicionantes, procurou ser mais direto na sequência e prometeu mudar completamente seu olhar a respeito de Prestianni caso seja apontado como culpado em investigação que vem sendo feita pela Uefa.
- Se, repito muitas vezes... Se o meu jogador não respeitou estes princípios, que são os meus e do Benfica, a sua carreira com um treinador que se chama Mourinho e num clube como o Benfica chega ao fim. Não sou um letrado, mas não sou um ignorante, mas presunção de inocência é um direito. Se quiserem que repita 20 vezes o que repudio, repito.
- Eu continuo com o "se". Infelizmente a UEFA, para afastar o jogador do jogo, descobriu o artigo 4206328 como motivo para o suspenderem, e também eles não colocaram o "se" que devia ter sido posto. Se o jogador for efetivamente culpado, não vou voltar a olhar para ele como tenho olhado e comigo acabou, mas tenho de meter muitos "ses" à frente.
Mourinho também falou das críticas recebidas por Sidny Cabral, jogador do Benfica que pediu para trocar camisa com Vini Jr. O comandante não absolveu o comandado de críticas.
— A questão da camisa não acho que seja criticável, seria evitável. É uma prática normal e corrente os jogadores trocarem camisas, em jogos grandes que marcam, ainda é mais natural com jogadores com os quais se identificam, admiram ou foram companheiros. Era evitável em função do que aconteceu durante a semana.



