Cuiabá, 12 de Março de 2026

ECONOMIA Quinta-feira, 12 de Março de 2026, 08:33 - A | A

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IPCA

Puxada pela educação, inflação sobe e acumula alta de 3,81% em 12 meses

A inflação oficial do país subiu, com maior pressão dos preços de Educação e Transportes. Ainda assim, no acumulado de 12 meses, o IPCA ficou em 3,81%, abaixo dos 4,44% registrados no período anterior

G1

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, mostra que os preços variaram 0,70% em fevereiro, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses ficou em 3,81%, abaixo dos 4,44% registrados no período imediatamente anterior.

Ainda assim, o número veio um pouco acima do esperado pelo mercado, que previa alta de cerca de 0,6% no mês. Pelas estimativas, o índice em 12 meses ficaria próximo de 3,77%.

No resultado mais recente, o grupo Educação teve o maior aumento de preços, com avanço de 5,21%, respondendo por 0,31 ponto percentual do índice do mês. Em seguida aparecem os Transportes, com alta de 0,74% e impacto de 0,15 ponto.

Juntos, esses dois grupos foram responsáveis por cerca de 66% da inflação registrada no período. Nos demais grupos pesquisados, as variações ficaram entre 0,13% em Artigos de residência e 0,59% em Saúde e cuidados pessoais.

Veja o resultado dos grupos do IPCA:

Alimentação e bebida: 0,26%;
Habitação: 0,30%;
Artigos de residência: 0,13%;
Vestuário: 0,16%;
Transportes: 0,74%;
Saúde e cuidados pessoais: 0,59%;
Despesas pessoais: 0,33%;
Educação: 5,212%;
Comunicação: 0,15%.

Educação puxa a inflação de fevereiro
O grupo Educação foi o que mais pressionou a inflação em fevereiro. Os preços nessa área subiram 5,21% no mês e responderam por cerca de 44% do resultado do IPCA.

A principal influência veio dos cursos regulares, que registraram aumento de 6,20%. Esse tipo de reajuste costuma ocorrer no início do ano letivo, quando escolas e instituições de ensino atualizam as mensalidades.

Esses reajustes explicam boa parte da pressão observada no grupo Educação no mês. Entre os itens com maiores aumentos estão:

Ensino médio: mensalidades subiram 8,19%.
 Ensino fundamental: preços avançaram 8,11%.
 Pré-escola: mensalidades tiveram alta de 7,48%.

Transportes tiveram segundo maior impacto
O grupo Transportes registrou alta de 0,74% em fevereiro e teve o segundo maior impacto na inflação do mês, contribuindo com 0,15 ponto percentual para o resultado do índice. Um dos principais fatores por trás desse avanço foi o aumento de 11,4% nas passagens aéreas.

Outros custos ligados ao uso de veículos também subiram no período. O seguro voluntário de automóveis ficou 5,62% mais caro, enquanto o conserto de veículos teve alta de 1,22%. Já as tarifas de ônibus urbano avançaram 1,14%.

Esse aumento no transporte coletivo reflete reajustes aplicados em várias capitais ao longo do início do ano. Entre eles estão:

Fortaleza: alta de 20% nas tarifas, em vigor desde 1º de janeiro.
Belo Horizonte: aumento de 8,7%, também a partir de 1º de janeiro.
Rio de Janeiro: reajuste de 6,38%, válido desde 4 de janeiro.
Salvador: alta de 5,36%, aplicada a partir de 5 de janeiro.
São Paulo: aumento de 6%, em vigor desde 6 de janeiro.
Vitória: reajuste de 4,16%, a partir de 12 de janeiro.
Recife: alta de 4,46%, válida desde 1º de fevereiro.
Porto Alegre: aumento de 6%, aplicado a partir de 19 de fevereiro.

Algumas capitais também registraram queda nas tarifas de transporte coletivo, o que ajudou a reduzir os preços nesse segmento.

Em Curitiba, por exemplo, o valor do ônibus urbano caiu 1,27% por causa da tarifa mais baixa aplicada aos domingos e feriados.

Em Brasília, a variação foi ainda maior, com recuo de 9,54%, devido à gratuidade nesses dias. Em Belém, onde a mesma política também está em vigor, o índice ficou em 1,04%.

No caso do metrô, os preços ficaram estáveis no resultado geral.

Ainda assim, houve movimentos diferentes entre as cidades: em Brasília, a gratuidade aos domingos e feriados levou a uma queda de 9,54%, enquanto em São Paulo houve reajuste de 3,85% nas tarifas a partir de 6 de janeiro.

O mesmo aumento foi aplicado ao trem na capital paulista, o que contribuiu para a alta registrada nesse serviço. Também em São Paulo, o item que considera a integração entre diferentes meios de transporte público refletiu esse reajuste nas tarifas.

O item táxi também apresentou aumento, influenciado por reajustes em algumas capitais. As tarifas subiram 4,26% em Porto Alegre, 4,53% em Salvador, 18,70% em Fortaleza e 4,92% no Rio de Janeiro, todos aplicados ao longo do início do ano.

Já os combustíveis, no geral, tiveram leve queda de 0,47%. O resultado foi puxado pela redução nos preços da gasolina, que recuou 0,61%, e do gás veicular, que caiu 3,10%. Por outro lado, o etanol subiu 0,55% e o óleo diesel teve alta de 0,23%.

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