Você já se perguntou como é possível um magistrado emitir uma decisão antes mesmo do julgamento final do processo? Esse é um benefício que a chamada “liminar” oferece. Presente em diversas áreas jurídicas, a medida aparenta ser complicada à primeira vista, mas entender sua aplicação é mais fácil do que parece.
Uma decisão liminar é uma determinação provisória dada pelo juiz diante de casos que exigem uma providência urgente antes do fim do processo. Ela é concedida em situações que demandam uma resposta rápida da Justiça para evitar prejuízo às partes envolvidas. O objetivo é proteger direitos que não podem esperar o tempo normal do andamento do processo.
A liminar pode suspender um ato, autorizar uma medida ou determinar que algo seja feito imediatamente. No entanto, a concessão não significa que o magistrado já tenha tomado a decisão final sobre o caso. Na prática, é uma ação de emergência que pode ser mantida, modificada ou até mesmo revogada ao longo do processo.
“As liminares aparecem com mais frequência em situações onde a urgência é evidente, por exemplo, em casos de saúde, consumidor, família e contratos. São situações em que esperar o fim do processo seria o mesmo que não ter solução nenhuma”, explica o juiz Luis Otávio Pereira Marques, titular da 6ª Vara Cível da Comarca de Cuiabá.
Luis Otávio destaca ainda que para conceder uma liminar o magistrado deve avaliar critérios como a aparência de que o pedido está certo e o risco de a demora causar prejuízo. Na primeira, é feita uma análise rápida dos documentos e verificado se quem pede a liminar aparenta ter razão.
Já na segunda, é observado se a espera pelo trâmite completo do processo pode causar um dano grave ou impossível de reparar. “É como um médico no pronto-socorro que não tem todos os exames prontos, mas precisa agir rápido, com as informações que tem disponíveis, para evitar um mal maior”, completa.
Segundo o magistrado, com a liminar o solicitante pode conseguir fazer uma cirurgia antes que a doença se agrave, manter o nome limpo enquanto discute uma cobrança supostamente indevida, impedir a perda de um bem ou restabelecer um serviço essencial interrompido indevidamente, como água e energia.
“A liminar pode fazer toda a diferença entre resolver um problema a tempo ou uma das partes sofrer um dano irreparável. Por isso, explicar o funcionamento das liminares é fundamental. Quando as pessoas entendem seus direitos, elas se tornam capazes de buscá-los de forma mais efetiva. A Justiça que não se faz entender é uma Justiça incompleta”, pontua.

