Cuiabá, 16 de Março de 2026

BRASIL Segunda-feira, 16 de Março de 2026, 09:32 - A | A

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Caso Master

Políticos apostam em delação seletiva de Vorcaro, mas investigadores resistem

Bastidores indicam que autoridades não aceitarão acordo parcial no caso. Advogados chegaram a sondar uma colaboração limitada, sem detalhar relações de Vorcaro com autoridades, mas a proposta foi rechaçada

Blog da Andréia Sadi

Investigadores que acompanham o caso envolvendo o empresário Daniel Vorcaro têm indicado, nos bastidores, que não aceitarão uma delação premiada seletiva.

Na sexta-feira (13), o dono do Banco Master abriu caminho para um acordo de delação ao trocar de advogado após o Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria para manter a prisão do banqueiro. Vorcaro agora será defendido pelo advogado Juca Lima, que considera a delação premiada um meio de defesa.

Segundo relatos obtidos pelo blog, interlocutores ligados ao gabinete do ministro Mendonça afirmam que ninguém está sendo pressionado a fazer delação. No entanto, caso haja colaboração, todos os ilícitos relacionados ao caso, mesmo envolvendo autoridades dos três Poderes, terão de ser revelados com clareza.

De acordo com essas fontes, as informações apresentadas em uma eventual delação serão cruzadas com as provas já existentes no processo.

A avaliação de quem acompanha a investigação é que uma delação considerada "meia-boca" não será homologada.

Parece óbvio dizer que a Polícia Federal não aceita colaborações parciais, mas há advogados que sondaram a possibilidade de uma colaboração não muito completa junto a investigadores. Ou seja, sem detalhar relações e eventuais negócios com autoridades da República, incluindo os 3 Poderes. A proposta foi rechaçada.

A eventual delação, caso avance, deverá ser conduzida pela Polícia Federal.

Nos bastidores, o ministro tem repetido a interlocutores que não pretende proteger ninguém e que seguirá apenas o que estiver comprovado nos autos.

Investigadores também ressaltam que parte das informações já pode ser verificada diretamente em documentos e contratos analisados no curso da investigação, independentemente de eventual delação.

Quem conhece Mendonça tem dito que a posição é clara: se houver delação, ela terá que ser completa. Caso contrário, ele não pretende homologar.

 

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