A oito meses das eleições presidenciais, especialistas projetam uma disputa apertada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Pesquisas recentes indicam vantagem do atual presidente, mas com diferença limitada. A tendência, segundo analistas, é de nova polarização, assim como ocorreu nas eleições de 2018 e 2022.
“Pesquisas recentes indicam um cenário competitivo, com diferenças pequenas em eventuais simulações de segundo turno. Esse quadro sugere que o país pode caminhar para uma eleição altamente disputada, na qual nenhum dos polos terá hegemonia clara”, explica o professor e especialista em políticas públicas Emerson Masullo.
O levantamento mais recente do instituto Real Time Big Data, divulgado em 3 de março, indica o atual presidente na liderança, com vantagem entre 6 e 7 pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro. Os números correspondem a três cenários estimulados. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Apesar das oscilações observadas no levantamento, Andrade avalia que haverá manutenção do padrão eleitoral dos últimos pleitos, visto que “Flávio absorve rapidamente o eleitorado do pai e aparece como um candidato competitivo tanto no primeiro quanto no segundo turno”.
“Continuo com a leitura que venho fazendo há algum tempo: a eleição de 2026 deve ser muito parecida com a de 2022. No fundo, será novamente um confronto entre Lula e o bolsonarismo. Quem errar menos e a conjuntura do momento serão decisivos para uma disputa que tende a ser muito apertada, provavelmente decidida por uma diferença pequena de votos”, pontua o cientista político Fabio Andrade.
As estratégias dos candidatos
Masullo afirma que as eleições deste ano devem se organizar em três campos: base ideológica, centro pragmático e voto anti-incumbência.
Nesse cenário, o campo governista tende a priorizar pilares como economia e programas sociais. A agenda internacional e diplomática também deve ganhar destaque, com reforço da imagem de liderança global. Outra frente envolve a construção de uma coalizão ampla no centro político.
“O objetivo estratégico é manter vantagem no Nordeste e recuperar parte do Sudeste, especialmente entre eleitores moderados”, analisa.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, busca herdar o eleitorado bolsonarista consolidado, reduzir a rejeição com um discurso mais institucional e ampliar a aproximação com o centro político. Mobilização digital, segurança pública e economia liberal também aparecem como eixos centrais.
“Uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro teria como objetivo consolidar a base eleitoral do bolsonarismo, ao mesmo tempo em que tentaria reduzir a rejeição entre eleitores moderados. Isso implicaria uma estratégia dupla: preservar pautas identitárias importantes para a direita — como segurança pública e conservadorismo cultural — e, simultaneamente, ampliar o diálogo com setores empresariais e com o eleitorado urbano de classe média”, diz Masullo.
Relação com o Congresso
Independentemente do resultado das eleições, a tendência aponta para a manutenção de um Congresso fragmentado e altamente pragmático.
“O sistema partidário brasileiro ainda possui grande dispersão, o que faz com que blocos intermediários — frequentemente associados ao chamado ‘centrão’ — desempenhem papel decisivo na governabilidade", opina Masullo.
Esse arranjo produz três consequências estruturais: maior influência do Legislativo sobre a agenda orçamentária, capacidade de articulação das bancadas temáticas e necessidade de o presidente eleito formar coalizão ampla e negociada de forma permanente.




