Cuiabá, 07 de Janeiro de 2026

BRASIL Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2026, 10:11 - A | A

Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2026, 10h:11 - A | A

regras do INSS

Lula tem até esta semana para sancionar dois projetos do Congresso

R7

presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve decidir, nesta semana, se sanciona ou veta dois importantes projetos de lei aprovados pelo Congresso Nacional: o do chamado “devedor contumaz” e o referente ao fim do desconto associativo em aposentadorias do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Entenda os projetos

PL do devedor contumaz

Aprovado pelo Congresso em novembro do ano passado, o PLP (Projeto de Lei Complementar) 125/2022 busca instituir o Código de Defesa dos Contribuintes, além de distinguir legalmente o empresário em dificuldades financeiras daquele que utiliza a sonegação como estratégia de mercado.

O rombo provocado por esses sonegadores ultrapassa os R$ 15 milhões.

Principais pontos

Combate aos “laranjas”: os alvos do projeto são empresas por vezes ligadas ao crime organizado e criadas em nome de “laranjas”, ou seja, pessoas físicas ou jurídicas usadas para afastar a identidade do verdadeiro responsável pelo negócio.

Instituição de recompensas: o texto prevê uma recompensa a quem mantém as contas em dia. Empresas com bom histórico tributário poderão receber benefícios que chegam a R$ 1 milhão anualmente.

Foco em setor de combustíveis: no projeto, é dada atenção especial a setores nos quais a sonegação estruturada é mais comum, como o de combustíveis, visando impedir que a sonegação gere uma concorrência desleal. A legislação visa impedir que empresas criminosas consigam vender mais barato seus produtos por não pagar impostos.

Punições aos devedores contumazes: entre as punições previstas no PLP, estão a inaptidão do CNPJ, a proibição de participação em licitações e concessões públicas e o veto ao acesso a benefícios fiscais, ou seja, a exclusão de incentivos que reduzam a carga tributária da empresa.

Arrecadação: como uma consequência estratégica do projeto, a nova legislação pretende elevar a arrecadação federal a partir da recuperação de valores sonegados, sem a necessidade de aumento dos impostos.

PL dos descontos em aposentadorias

Também em novembro, o Congresso aprovou o projeto de lei que proíbe o desconto de mensalidades associativas em benefícios pagos a aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

A legislação atual permite o desconto de mensalidades apenas com a autorização do filiado. O PL 1.546/2024 visa revogar esse ponto da Lei dos Planos de Benefícios da Previdência Social (Lei 8.213, de 1991) e impedir o desconto em qualquer caso.

O novo PL representa uma mudança drástica na proteção de aposentados contra fraudes e descontos abusivos. A principal novidade é a proibição total de algo que antes era permitido: o desconto de mensalidades para associações e sindicatos.

Principais pontos

Fim do desconto associativo: caso o PL seja sancionado, será totalmente proibido o desconto de mensalidades para associações, sindicatos ou entidades similares diretamente do benefício do INSS.

Entidades “fantasmas”: A lei revoga a possibilidade de desconto com o objetivo de impedir que entidades “fantasmas”, ou seja, que não existem de fato, cobrem algum tipo de mensalidade.

Redução de golpes: o projeto cria, também, mecanismos para evitar que idosos caiam em golpes de empréstimos não solicitados, como exigência de biometria, assinatura eletrônica e bloqueio automático após o processo. O PL também extingue a contratação de empréstimos por telefone ou procuração.

Recuperação de valores: o texto prevê que, em caso de desconto indevido, a entidade ou o banco deve devolver o montante integral no prazo de 30 dias. Caso contrário, o INSS ressarce o valor à vítima e cobra os culpados judicialmente.

Sequestro de bens e busca ativa: juízes estarão autorizados a bloquear e sequestrar todos os bens de pessoas investigadas por fraudes contra o INSS. Além disso, o instituto terá a obrigação legal de procurar e identificar os beneficiários que foram vítimas de descontos indevidos.

Comente esta notícia