Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira, 12, aponta uma intensificação na queda da confiança dos eleitores brasileiros no Supremo Tribunal Federal (STF). Realizado em meio ao escândalo do Banco Master, que espirrou nos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o levantamento mostra um recuo de sete pontos percentuais na parcela que afirma confiar no Supremo: eram 50% em agosto de 2025 e agora são 43%.
Embora a confiança venha caindo desde novembro de 2022, logo após a última eleição, o ritmo de queda era menor nas rodadas anteriores da pesquisa. Já os que declararam não confiar no STF seguem em tendência de alta. Eram 47% e oscilaram positivamente no limite da margem de erro para 49%. É a primeira vez que os que não confiam superam os que confiam.
Ainda de acordo com o levantamento, 72% acham que o STF tem poder demais e 66% concordam que é importante votar em candidatos ao Senado que estejam comprometidos com o impeachment de ministros da Corte. Essa é a principal estratégia de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na eleição para a Casa Alta.
A Quaest também questionou os eleitores sobre outros pontos envolvendo o Master. A maioria, 65%, disse saber que o ex-presidente do banco, Daniel Vorcaro foi preso, enquanto 33% não estavam cientes da notícia.
Para 40%, todas as instituições foram afetadas negativamente pelo escândalo. A lista apresentada pelo levantamento incluía opções individuais para o STF e o Judiciário (13%), o governo Bolsonaro (11%), o governo Lula (10%), o Banco Central (5%) e o Congresso (3%). Outros 17% não souberam ou não responderam.
Ainda sobre o impacto eleitoral do caso Master, 38% afirmaram que evitariam votar em candidatos associados ao escândalo, enquanto 29% disseram que levariam o tema em consideração na hora de decidir o voto e 20% responderam que o assunto não influenciaria na decisão.
O caso Master despertou o sinal amarelo no entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principalmente depois da Genial/Quaest mostrar que o senador Flávio Bolsonaro (PL) passou a empatar tecnicamente com o petista em um eventual segundo turno. A avaliação de Lula é que o escândalo serve como um “biombo” para esconder as realizações de sua gestão.
A Genial/Quaest entrevistou presencialmente 2.004 eleitores entre os dias 6 e 9 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.
Como revelou o Estadão, um fundo pertencente a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, comprou uma fatia da participação de uma empresa pertencente ao ministro Dias Toffoli no resort Tayayá. O ministro inicialmente negou ser sócio do empreendimento, mas voltou atrás após um relatório da Polícia Federal. Na quarta-feira, Toffoli se declarou suspeito para julgar tanto a prisão de Vorcaro como um pedido para instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Master.
Já Moraes foi arrastado para o escândalo porque o banco de Vorcaro assinou um contrato de R$ 129 milhões por três anos de serviço do escritório de advocacia de sua esposa, conforme revelado pelo jornal O Globo.
Mensagens encontradas no celular de Vorcaro também mostram conversas entre o ministro e o banqueiro no dia em que ele foi preso pela primeira vez, em novembro do ano passado.
Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF, defendeu o contrato em nota divulgada na terça-feira. Ela declarou que a atuação de seu escritório concentrou-se na implementação de mecanismos de compliance e na revisão do código de ética e conduta do Banco Master. Ela afirmou ter produzido 36 pareceres e realizado 94 reuniões de trabalho.




