A proximidade do fim do verão e o avanço da colheita indicam que a safra de arroz no Paraná deve se consolidar dentro dos padrões agronômicos esperados, segundo o Boletim Conjuntural divulgado na quinta-feira (12) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab).
De acordo com o relatório, a expectativa é de que a produção alcance 147 mil toneladas, com aproximadamente metade desse volume já colhida. O documento afirma que “com o fim do verão se aproximando e a colheita avançando em ritmo regular, os rizicultores paranaenses devem, finalmente, consolidar uma safra dentro dos padrões agronômicos esperados”. Caso se confirme, o resultado representará aumento de 10% em relação às 134 mil toneladas colhidas em 2025.
O boletim também aponta que a chegada do outono reduz o risco de chuvas excessivas e praticamente elimina a possibilidade de novas enchentes no Rio Ivaí, como as registradas nas duas últimas safras.
Em contraste com o cenário estadual, a oferta de arroz no Brasil deve diminuir na atual temporada. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção nacional está estimada em 10,9 milhões de toneladas, abaixo das 12,8 milhões registradas no ciclo anterior. A redução está associada à menor área semeada após a pressão de preços observada em 2025, quando a oferta elevada afetou a rentabilidade do produtor.
Mesmo com a produção menor, os preços pagos ao produtor permanecem estáveis. O levantamento indica que, em fevereiro, o valor médio recebido foi de R$ 63,07 por saca, 46% inferior aos R$ 117,54 registrados no mesmo mês do ano passado. O relatório acrescenta que, além dos preços, os produtores enfrentam aumento de custos, especialmente na colheita. Segundo o boletim, “o produtor tem entre suas preocupações o aumento dos custos de colheita em função da guerra”, que já influencia o preço do diesel, mesmo antes de reajustes nas refinarias.
Para o consumidor, o cenário é de redução de preços. O pacote de 5 quilos de arroz no varejo apresentou queda de 38% nos últimos 12 meses e atualmente custa cerca de R$ 20,00 para o produto tipo polido, ante valores superiores a R$ 30,00 em fevereiro de 2025. O boletim também destaca o comportamento do feijão preto, que está 28% mais barato que no ano anterior, embora apresente leve tendência de alta no momento.




