A elevação do preço do petróleo costuma produzir efeitos que ultrapassam o setor energético e alcançam rapidamente diversas cadeias produtivas da economia. De acordo com análise de Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, movimentos geopolíticos que pressionam a oferta global de petróleo podem desencadear uma sequência de impactos diretos e indiretos sobre custos agrícolas, logística e preços de commodities.
Quando conflitos internacionais elevam as cotações do petróleo, os derivados acompanham essa trajetória. Um dos primeiros reflexos aparece no gás natural, insumo fundamental para a produção de fertilizantes nitrogenados. Com o gás mais caro, os fertilizantes tendem a subir de preço, pressionando o custo de produção agrícola em diferentes culturas.
Outro efeito relevante ocorre na logística. O aumento do óleo diesel eleva os custos do transporte rodoviário e também do frete marítimo, ampliando as despesas envolvidas na movimentação de insumos e na distribuição de alimentos. Esse encarecimento logístico reforça a pressão sobre os custos totais da produção agrícola.
O cenário também altera a dinâmica dos biocombustíveis. Com combustíveis fósseis mais caros, alternativas como etanol e biodiesel ganham competitividade. Esse movimento tende a estimular maior destinação de cana-de-açúcar e milho para a produção de etanol, além de ampliar a demanda por soja utilizada na fabricação de biodiesel.
A consequência aparece no mercado de commodities agrícolas. Com mais cana voltada ao etanol, a oferta de açúcar pode diminuir, contribuindo para a valorização do produto. Situação semelhante pode ocorrer com o milho, cuja maior utilização na produção de etanol reduz a disponibilidade para outros mercados. No caso da soja, o avanço do biodiesel tende a elevar a demanda pelo grão.
“Um choque no mercado de energia pode rapidamente se transformar em pressão inflacionária no sistema alimentar global. Para países como o Brasil, grande produtor agrícola e líder em biocombustíveis, esses movimentos podem representar tanto riscos quanto oportunidades”, conclui.




